Eu, eu mesma e a Cíntia






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Terça-feira, Outubro 31, 2006


Rapidinha 1: São Paulo, 2005
Às vezes a gente só quer encostar um pouqinho e respirar. Olhar pra frente, ver as pessoas.
Participar da vida da cidade sem estar atrasado. Sentir na pele o caloriznho de um dia nublado de verão sem medo, deixar o cabelo esvoaçar sem preocupação.
O tempo passar sem reprimir, as coisas simplesmente andarem, sem correr.

Rapidinha 2: Uma pena, enfim.
Tem gente na nossa vida que simplesmente não vale a pena. E isso é maior chato, porque às vezes a gente gostaria que essas pessoas fizessem um pouco mais por merecer porque achamos que no fundo elas são legais. Mas têm atitudes que não dá pra gente contornar. É uma questão de princípios. Uma pena, enfim..

Rapidinha 3: De retórica.
Há quem reclame do meu DDA. Eu o vejo como um presente de Deus: participo das coisas com o olhar, o pensamento e a imaginação. E isso me completa às vezes. (Nada que um lápis de cor ou uma tinta não ajudem a embelezar...). Proponho diálogos imaginários, suponho emoções desconhecidas, pergunto tudo e não quero resposta pra muita coisa. Tem coisa melhor?

Rapidinha 4: Wonka:
Chocolate looks beautiful, attractive, tasty when it's been melted. It smels better.
But there's nothing beautiful in watching a little castle built in a tiny heart melting down.

Rapidinha 5: To the moon and back.
Eu tiro um minuto do meu dia. Hoje deu tempo. Uns segundos minguados, só pra deixar a mente voar um pouquinho. Só um pouquinho, porque ela tem hora pra voltar. Nada que a ajuda de uma coleirinha não resolva. Pode parecer feio isso, de botar a mente pra passear feito cachorro. Prefiro pensar que é feito pipa.
Meu tempo é pouco, fazer o que? Dá pra correr rapidinho até aquela sala onde ficam os devaneios esquecidos, vislumbrar rapidinho um ou outro. Dou um sorrisinho. E chega, ta chegando a hora de voltar. Bah.

by Cín


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Terça-feira, Outubro 24, 2006


Que engraçada a vida é. Num dia, ela dá uma volta que nos desespera. Não conseguimos respirar; passamos mal só de pensar no que estamos perdendo, no que vai mudar, no que nunca mais existirá. É sufocante; é injusto.
Nos filmes, depois do choro desesperado e de algumas cenas de caminhadas solitárias do protagonista, a trama pula para "algum tempo depois". Afnal, havemos de convir que esses meses são realmente chatos. Mas fora da tela, infelizmente, não dá pra fugir desse período..
E não é que, passados os tais meses e anos, as coisas realmente começam a se encaixar de novo e nós começamos a enxergar o que passou com maior clareza?
Daí então comprovamos, novamente, que Deus é soberano e bondoso, e que Ele cuida. Ficamos felizes de ter confiado e de ver que estávamos certos.
O que resta nessa hora é um estado de gratidão sorridente.
Deus é bom.

by Cín


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Quinta-feira, Outubro 12, 2006


Às vezes a gente fica desanimado de ver um querido falando do que acha sobre alguma coisa como se fosse a verdade, quando a gente acha que é apenas uma das interpretações possíveis. Uma das piores. E a gente insiste que pode ser o que ele diz, mas que pode também ser outra coisa, menos ruim. E fica brava porque acha que o outro está subestimando sua capacidade de interpretar a realidade. Daí, um dia a gente descobre que as coisas são exatamente como o outro tentou explicar, com tanto cuidado. Em todo seu absurdo. Daí a gente começa a lembrar de todo o resto que ele fala e a ver que talvez nosso olhar seja realmente muito ingênuo. E que o mundo seja bem pior do que enxergamos. E ficamos na dúvida se seria realmente melhor ver as coisas como elas são.
Sabe?

by Cín


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